Como terão sido as semanas passadas por Sylvius Leopold Weiss em Leipzig no verão de 1739, quando visitou repetidas vezes a casa da família Bach? Segundo testemunhos da época, o virtuoso alaudista terá desafiado Johann Sebastian para improvisarem pela noite dentro, embalados por umas canecas de cerveja, ou mesmo com a companhia de uma garrafa de bom vinho moscatel.
Sabemos hoje que a algo enigmática suite para violino e cravo BWV 1025 de Bach resultou da transcrição de uma sonata para alaúde de Weiss. O resultado foi uma obra muito particular e bem distinta, no seu carácter sensual e etéreo, das grandiosas e complexas seis sonatas para violino e cravo solista que havia composto em Köthen. Já o ambiente dos salões nobres parisienses do período da Regência teriam muito menos de espontâneo, e muito mais de cerimonioso.
Aqui se distinguiam e aplaudiam virtuosos brilhantes, como o violinista Jean-Joseph Cassanéa de Mondonville ou o cravista Jacques Duphly, que encantavam os melómanos com obras escritas num estilo único, que combinava a tradição francesa com as novas modas musicais italianas, e a majestade do Barroco com a elegância do novo gosto Galante. Se os ecos de Paris poderão ter chegado a Leipzig, já o contrário é menos provável. É, por isso, admirável, que quase em simultâneo, numa e noutra cidade, compositores tão distintos explorassem as potencialidades expressivas da combinação, então inusitada, do violino com o cravo, agora não já um mero acompanhador, executante do baixo contínuo, mas um parceiro solista, com igual relevo e importância.
Violino
Ágnes Sarosi, violinista húngara natural da Transilvânia, iniciou com seis anos de idade os seus estudos de violino e piano. Entre 1984 e 1988 foi aluna da Escola Técnica de Artes de Târgu-Mureş. Em 1986 integrou a Orquestra Filarmónica do Estado de Târgu-Mureş e passou a participar em numerosos concursos nacionais, enquanto colaborava frequentemente, enquanto solista, com a Orquestra Filarmónica do Estado de Târgu-Mureş. No ano de 1989, ingressou no Conservatório de Música de Lasi e, em 1990, no Conservatório de Música Franz Liszt, em Budapeste, onde trabalhou com Leila Rásonyi, Ferenc Rados e Sandor Devich. Já em 1991 integrou a Orquestra de Câmara Camerata Transsylvanica.
Com esta orquestra fez várias digressões por diferentes países, entre os quais Espanha, Alemanha, Áustria, Itália e França. Em 1994 integrou a Orquestra Sinfónica da Rádio Húngara e em 1997 a Orquestra do Festival de Budapeste.
Entre 1995 e 1997 foi membro da Orquestra Sinfónica Leó Weiner e professora na Escola de Música A. Racs. É, desde setembro de 1997, violinista da Orquestra Metropolitana de Lisboa e professora da Academia Nacional Superior de Orquestra.
Para se aperfeiçoar no âmbito das práticas históricas interpretativas realizou um mestrado em violino barroco na ESMUC — Escola Superior de Música de Barcelona, estudando com o professor Manfredo Kramer. Toca em agrupamentos especializados em Música Antiga como o Ludovice Ensemble e a Orquestra Real Câmara.
Cravo
Fernando Miguel Jalôto é especializado em instrumentos históricos de teclado e na interpretação historicamente informada do repertório musical dos séculos XVI, XVII e XVIII. É fundador e director artístico do Ludovice Ensemble, um dos mais prestigiados grupos de Música Antiga nacionais. Em Portugal é membro do Ensemble Bonne Corde e da Orquestra Barroca Real Câmara, e colabora com grupos especializados internacionais tais como Vox Luminis, Oltremontano, La Galanía, Capilla Flamenca, e Collegium Musicum Madrid. Apresentou¬ se em vários festivais e inúmeros concertos por toda a Europa, Israel, China e Japão. Gravou perto de três dezenas de álbuns para a Ramée/Outhere, Harmonia Mundi, Glossa Music, Challenge Records, Brilliant Classics, Dynamic, Parati, Anima & Corpo, Vterum Musica, Resonus Classics/Iventa e Conditura Records, bem como para as rádios portuguesa, espanhola, alemã e checa, e os canais televisivos Mezzo, Arte e RTP. Apresentou recitais a solo no prestigiante Festival Oude Muziek de Utrecht (Países Baixos) e a convite do Património Nacional (Espanha). Dirigiu grandes obras do repertório barroco, como as vésperas de Monteverdi, missas e cantatas de Bach, oratórias de A. Scarlatti, óperas de Handel, Lully, Rameau, Charpentier e Bourgeois, em salas como a Fundação Gulbenkian e o CCB, e os festivais especializados de Utrecht e Bruges. É o director artístico e pedagógico da Academia Ludovice, e tutor e director musical dos cursos de ópera e oratório barrocos do centro musical Benslow, em Hitchin (Reino Unido). Dirigiu em 2022-23 uma tournée de 18 concertos em Espanha, França, Andorra e Bélgica com música do século XVIII da Capela Real portuguesa. Interessa-se particularmente por projectos transversais envolvendo dança, declamação e encenação históricas. Como maestro al cembalo é convidado para dirigir ensembles especializados internacionais, como a Jerusalem Baroque Orchestra e o Ensemble MEZZO em Israel, ou o HRBA (Croatian Baroque Ensemble) na Croácia e Irlanda, bem como a Orquestra Metropolitana de Lisboa, a Orquestra Filarmonia das Beiras, a Orquestra do Algarve ou a Sinfonietta de Braga. Completou os diplomas de Bachelor of Music e de Master of Music em Cravo no Departamento de Música Antiga e Práticas Históricas de Interpretação do Conservatório Real da Haia (Países Baixos), na classe de Jacques Ogg. Frequentou masterclasses com Gustav Leonhardt, Olivier Baumont e Ilton Wjuniski, entre outros. Estudou também órgão barroco e clavicórdio, e foi bolseiro do Centro Nacional de Cultura e da FCT. É Mestre em Música pela Universidade de Aveiro e Doutor em Ciências Musicais pela Universidade Nova de Lisboa.