CONCERTOS DE PRIMAVERA

  • 16 maio, 2026
  • Stylus Phantasticus
  • Igreja de São Pedro (Almargem do Bispo)
section_title

Sonatas e Toccatas do Seicento

O programa propõe uma viagem pelo nascimento e consolidação da linguagem instrumental europeia entre o primeiro Barroco italiano e o pleno desenvolvimento da escrita para violino e instrumentos dedilhados no final do século XVII e início do XVIII. Num contexto marcado pela emergência do stile moderno, pela valorização da expressividade individual e pela afirmação da sonata como género autónomo, estas obras testemunham a transformação da música instrumental de mera extensão da prática vocal renascentista em linguagem idiomática, virtuosística e profundamente retórica.

No centro deste percurso encontram-se nomes fundamentais da escola italiana do Seiscento, como Dario Castello e Giovanni Battista Fontana, cujas sonatas revelam a liberdade formal, os contrastes de andamento e a escrita fragmentada típicos do novo estilo concertante nascido em Veneza. A alternância entre secções rápidas e lentas, os arrojados contrastes harmónicos e a exploração do virtuosismo solístico anunciam uma estética marcada pela teatralidade e pela experimentação, em sintonia com o ambiente artístico que rodeava os primeiros desenvolvimentos da ópera e da música instrumental autónoma.

Paralelamente, a presença de mestres do alaúde e da tiorba como Girolamo Kapsberger e Alessandro Piccinini evidencia a importância da tradição dedilhada italiana na consolidação de formas como a toccata, a ciaccona e as variações. A escrita improvisatória, os arpejos expansivos e o uso expressivo da harmonia refletem a transição do contraponto renascentista para uma conceção mais vertical e afetiva do discurso musical. Já em meados do século XVII, compositores como Pandolfo Mealli aprofundam a dimensão dramática da sonata, explorando contrastes retóricos que antecipam o barroco maduro.

O itinerário culmina na expansão europeia destas linguagens: da elegância francesa de Robert de Visée à escrita violinística germânica de Johann Paul von Westhoff, cuja imitação do alaúde revela o diálogo entre tradições nacionais, passando ainda pela expressividade galante de Maksym Berezovsky, já no limiar do Classicismo. Assim, o programa traça um arco histórico que evidencia como a Itália barroca irradiou modelos formais e estilísticos por toda a Europa, moldando uma nova consciência instrumental baseada no virtuosismo, na retórica dos afetos e na afirmação do intérprete como protagonista artístico.

Programa:

Dario Castello (c. 1590 – c. 1658)
Sonata prima a Sopran solo, em Lá menor
Allegro – Allegro – Adagio – Allegro – Adagio – Allegro – Allegro – Adagio
Giovanni Battista Fontana (c. 1589 – 1630/31)
Sonata Seconda à Violino solo, em Ré maior (Sem indicações de andamentos)
Alessandro Piccinini (1566 – c. 1638)
Toccata IV
Girolamo Kapsberger (c. 1580 – 1651)
Canario
Pandolfo Mealli (c. 1627 – c. 1670)
Sonata seconda, Op. 3 “La Cesta”
I. Adagio
II. Allegro
III. Adagio – Presto
IV. Adagio
Robert de Visée (c. 1655 – 1732/33)
Prélude
Girolamo Kapsberger (c. 1580 – 1651)
Colascione
Alessandro Piccinini (1566 – c. 1638)
Chiaccona in partite variate
Maksym Berezovsky (c. 1740 – 1777)
Grave, da Sonata em Dó maior
Johann Paul von Westhoff (1656 – 1705)
Sonata n.o 2, em Lá menor
I. Largo
II. Presto
III. Imitatione del liuto
IV. Aria grave
V. Finale
section_title

Stylus Phantasticus

  • Violino Barroco - Denys Stetsenko
  • Tiorba - Tiago Matias

Localização:

  • Date 16 maio, 2026
  • Venue Igreja de São Pedro (Almargem do Bispo)

Detalhes

  • Data 16 maio 2026
  • Hora 21h30
  • Músicos Stylus Phantasticus
  • Local Igreja de São Pedro (Almargem do Bispo)

Biografias

Denys Stetsenko

Denys Stetsenko

Violino Barroco

Denys Stetsenko

Violino Barroco

Nascido na Ucrânia, no seio de uma família de longa tradição musical, Denys Stetsenko concluiu a sua formação clássica já em Portugal, tanto em violino dito “moderno” como em violino barroco.

A sua evolução artística contou com a orientação de professores como Felix Andrievsky, Enrico Onofri e Amandine Beyer, entre outros.

Paralelamente à formação clássica, expandiu o seu leque de géneros musicais através da exploração da música do mundo, participando em projectos de música portuguesa, música tradicional europeia, tango argentino e música da América Latina. É membro fundador do Quarteto Arabesco e do Parapente700.

Tem partilhado palcos e estúdios de gravação com agrupamentos e artistas como Sete Lágrimas, Os Músicos do Tejo, Orquestra Barroca da Casa da Música, Martin Sued & Orquestra Assintomática, Espírito Nativo, Pedro Jóia, Rodrigo Leão, Rita Redshoes, Dead Combo e Benjamin Clementine, entre outros.

Como formador na área da música clássica, lecionou violino e música de câmara na Academia de Música de Santa Cecília (Lisboa) durante 17 anos e foi professor associado de violino barroco na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo do Porto entre 2011 e 2014. Desde 2011 orienta cursos de música tradicional instrumental em vários países europeus e, desde 2015, integra a equipa de mentores do Ethno Portugal, residência artística internacional para jovens músicos.

Tiago Matias

Tiago Matias

Tiorba

Tiago Matias

Tiorba

Natural de Aveiro, Tiago Matias concluiu em 2002 o Curso Complementar de Guitarra Clássica no Conservatório de Música de Aveiro Calouste Gulbenkian, com classificação máxima no exame final, e em 2005 a licenciatura em Guitarra na Escola Superior de Música de Lisboa. Foi distinguido em vários concursos, destacando-se o 1.º prémio no Música en Compostela (2004) e o 3.º prémio no Concurso Legato (2000).

Colabora regularmente com agrupamentos como a Orquestra Sinfónica Portuguesa, Ludovice Ensemble, Segréis de Lisboa, Sete Lágrimas, Orquestra Barroca da Casa da Música e Divino Sospiro. Gravou 18 discos com alguns destes grupos e apresentou-se em salas e festivais de referência a nível internacional. Em 2012 fundou, com Filipe Faria, o ensemble de música antiga Noa Noa, com o qual editou quatro discos.

Em 2021 editou o seu primeiro disco a solo, Cifras de Viola, nomeado para os Prémios Play. Seguiram-se Sospiro (2023), dedicado à vihuela e acompanhado de livro homónimo, Fantasia (2024), primeira gravação mundial integralmente dedicada à música contemporânea para tiorba solo, e Cordovil (2024), com a obra integral para guitarra barroca de José Ferreira Cordovil.

Em 2025 editou Sombras, quinto disco a solo, com obra inédita para guitarra barroca de António Marques Lésbio.

Na temporada 2025/2026 realiza a sua primeira digressão mundial a solo, com 26 concertos em 12 países. Como pedagogo, orientou masterclasses e lecionou no Conservatório de Música de Aveiro e no Conservatório Nacional. Foi diretor do Quartel das Artes entre 2018 e 2024, é investigador do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos e doutorando em Estudos Artísticos na Universidade de Coimbra.

OUTROS CONCERTOS

  • 10 ABRIL
  • QUEL FIOR ENSEMBLE

Melodias em Diálogo

  • Complexo Paroquial de S. Bento de Massamá
  • 11 ABRIL
  • SOLISTAS MELLEO HARMONIA

O Esplendor do Barroco Sacro

  • Igreja de Santa Maria (Agualva)
  • 17 ABRIL
  • D’AQUÉM MAR

Líricas do Barroco

  • Igreja de Nossa Senhora da Paz (Rio de Mouro)
  • 8 MAIO
  • AMERICANTIGA ENSEMBLE | NOVA ERA VOCAL ENSEMBLE

A Corte de D. João IV de Volta a Lisboa

  • Igreja de São Martinho (Vila de Sintra)
  • 9 MAIO
  • SOFIA DINIZ - VIOLA DA GAMBA SOLO

The Spirit of Gambo

  • Capela do Regimento de Artilharia Antiaérea No1 (Queluz)
  • 15 MAIO
  • TADEU FILIPE E DANIEL OLIVEIRA

Cravos em Duo

  • Igreja Matriz de S. João de Baptista (S. João das Lampas)
  • 16 MAIO
  • STYLUS PHANTASTICUS

Sonatas e Toccatas do Seicento

  • Igreja de São Pedro (Almargem do Bispo)
  • 22 MAIO
  • ABONA ENSEMBLE

Gesto e Ressonância

  • Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Misericórdia (Belas)
  • 23 MAIO
  • JOANA BAGULHO - CRAVO | MARIA BAYLEY - CANTO E HARPA

Poner Obras

  • Igreja de S. José (Vila Verde)
  • 29 MAIO
  • ITINERÁRIO ENSEMBLE

Ao Encontro de Itália

  • Igreja Paroquial de S. José (Algueirão)
  • 30 MAIO
  • ÁGNES SAROSI - VIOLINO BARROCO | FERNANDO MIGUEL JALÔTO - CRAVO

Entre Leipzig e Paris: Obras para Violino e Cravo Obligato do início do Século XVIII

  • Igreja Paroquial de S. Pedro (Pêro Pinheiro)
  • 13 MARÇO
  • DUO SENZA MISURA

Cores e Ornamentações: Música para Flauta e Harpa

  • Igreja Matriz de Montelavar
  • 20 MARÇO
  • POLYPHONIA - SCHOLA CANTORUM

Crux Fidelis: a Quaresma na Música Renascentista Portuguesa

  • Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Assunção (Colares)
  • 21 MARÇO
  • COMPENDIUM ENSEMBLE

Metamorfoses dos Afetos

  • Junta de Freguesia de Casal de Cambra
  • 27 MARÇO
  • ORQUESTRA CÍRCULO DE MÚSICA DE CÂMARA | CORO LISBON SINGERS

Da Contemplação à Glória

  • Igreja Paroquial do Coração Imaculado de Maria (Cacém)