Verbo, palavra, meditação.
Durante séculos, a música esteve ao serviço da palavra, desenvolvendo-se sobretudo no contexto da vida monástica. Na Idade Média, a sua escrita acompanhava o tempo da recitação do texto, dando origem à chamada música melismática. Só na Baixa Idade Média surge o contraponto e a música pensada verticalmente, com tempo definido, passando a palavra a submeter-se a uma métrica regular.
Esta regularidade rítmica não resulta apenas de exigências musicais, mas também da prática da oração. Com o surgimento do Rosário, no século XIII, ligado ao culto Mariano, a recitação cadenciada cristaliza-se como forma de meditação. Segundo a tradição, São Domingos de Gusmão recebeu de Nossa Senhora o Rosário como arma espiritual contra a heresia, permitindo aos fiéis iletrados imitar os 150 salmos recitados pelos monges.
No século XV, o beato Alano de Rupe estruturou o Rosário em três conjuntos de Mistérios — Gozosos, Dolorosos e Gloriosos — consolidando esta devoção, que se difundiu por toda a Europa, mesmo após a Reforma.
O seu impacto foi tal que passou também a ser evocado pela música. Exemplo maior são as Sonatas do Rosário de Heinrich Ignaz Franz von Biber, compostas por volta de 1674 para violino e baixo contínuo, obras de grande virtuosismo e profunda espiritualidade.
No programa de hoje percorremos alguns destes Mistérios musicados por Biber, alternando com Sonatas da Chiesa de Tommaso Albinoni, demonstrando a força expressiva da música quando colocada ao serviço de uma mensagem transmitida pela harmonia.
Cravo
É licenciada em Cravo (Escola Superior de Música de Lisboa) e em Direito (Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa). É doutorada em Ciências Musicais Históricas (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa). Conta com uma pós-graduação em Cravo (Escola Superior de Música da Catalunha, Espanha) e uma pós-graduação em Gestão Empresarial, vertente de Estratégia de Investimentos e Internacionalização (Instituto Superior de Gestão).
É fundadora e presidente da Academia Portuguesa de Artes Musicais.
Tem sido ao longo dos anos diretora e curadora de diferentes festivais e ciclos de concertos, assim como coordenadora de congressos internacionais de musicologia histórica.
Participou na estreia mundial das obras “Magnificat em talha dourada” e “Horto sereníssimo”, do compositor Eurico Carrapatoso, bem como no conto infantil “O que aconteceu no Museu da Música”, do compositor Sérgio Azevedo.
Estreou ainda a “Inventio 2”, de Bruno Gabirro, e a peça “Prelúdio e Festa”, de Sérgio Azevedo, especialmente escrita para ela. Em 2009, foi assessora musical do premiado filme do realizador chileno Raúl Ruiz, “Mistério de Lisboa”.
Em 2011, foi a cravista convidada para o II Concurso Internacional de Composição Fernando Lopes Graça, dedicado ao cravo.
Em 2018 estreou, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, o seu primeiro filme documental, “Momento 1910”, acompanhado pela orquestra Melleo Harmonia, orquestra residente da Academia Portuguesa de Artes Musicais. Desenvolve, desde 2019, a programação Música no Termo. É fundadora e diretora do Laboratório de Ópera Portuguesa.
Violino
Pedro Lopes apresenta-se regularmente na qualidade de solista com orquestra e em agrupamentos de câmara. Foi concertino da Orquestra de Câmara Portuguesa, com a qual colaborou na qualidade de músico, tutor e coordenador nos projetos Notas de Contacto e Jovem Orquestra Portuguesa.
É violinista convidado nos Quartetos Lopes-Graça, de Guimarães e concertino convidado da Orquestra mpmp, La Nave Va e Orquestra sem Fronteiras e Orquestra do Algarve. Tocou já um pouco por toda a Europa, Africa e América. Tendo vencido vários concursos da especialidade, conta agora com vários alunos laureados e que prosseguiram os seus estudos fora de portas (Inglaterra, Holanda e Alemanha).
Inicia os seus estudos de violino, com 12 anos na ARTAVE, com José Camarinha, concluindo o 8º grau com 20 valores. Estudou na ANSO com o professor Aníbal Lima, onde obtém o grau de Mestre em Ensino da Música, com 19 valores. Frequentou o Mestrado em Música de Câmara na prestigiada HMTM Hannover (Alemanha).
Violoncelo
César Gonçalves iniciou o estudo do violoncelo aos 18 anos com Agostinho Henriques e Jaime Dias, fazendo um percurso ecléctico entre a música orquestral e vocal, o jazz e a música tradicional madeirense.
Em 2005, estudou violoncelo com Paulo Gaio Lima e música de câmara com Paul Wakabayashi, tendo concluído com os mesmos professores a Licenciatura em Música (2008) e o Curso de Mestrado em Performance (2009). Fez também uma Pós-Graduação em Ensino Vocacional da Música (2011). Em 2014, terminou o Mestrado em Ensino de Música (violoncelo) com Clélia Vital.
O seu percurso académico inclui masterclasses em Portugal e no estrangeiro com professores como Radu Aldulesco, Antonio Lysy, Pablo de Náveran, Eckart Schwarz-Schulz, entre outros, no violoncelo moderno, e Miguel Ivo Cruz e Diana Vinagre, no violoncelo barroco, que marcaram profundamente o seu crescimento artístico.
Num percurso profissional essencialmente como freelancer, integrou diversas orquestras e grupos de câmara nacionais e internacionais em diversos países do continente europeu e africano, trabalhando com diversos maestros e compositores, várias vezes em estreias mundiais das suas obras. Foi co-responsável pela criação da Orquestra Académica da Universidade de Lisboa (OAUL) coordenando-a desde a sua fundação em 2014, até 2017.
É membro co-fundador do Ensemble Carlos Seixas e Quarteto Prometheus, e professor no Instituto Gregoriano de Lisboa desde 2016.