Este programa propõe um percurso musical que atravessa séculos de criação sacra e espiritual, reunindo diferentes linguagens estéticas num diálogo entre tradição e contemporaneidade. A abertura instrumental com o Impromptu de Jean Sibelius introduz uma atmosfera lírica e contemplativa característica do romantismo tardio nórdico. A escrita do compositor finlandês, marcada por linhas melódicas claras e uma expressividade intimista, estabelece um ambiente sonoro que prepara o público para o caráter meditativo das obras corais que se seguem.
A espiritualidade contemporânea manifesta-se nas obras de Ola Gjeilo e Ēriks Ešenvalds, dois compositores atuais amplamente reconhecidos pela renovação da música coral. Em Ubi Caritas, Gjeilo recria o antigo texto litúrgico latino através de uma linguagem tonal luminosa e cinematográfica, marcada por harmonias expansivas e um sentido de serenidade contemplativa. Já Ancient Prairie, de Ešenvalds, combina poesia e paisagem sonora numa escrita coral rica em textura e cor, evocando a vastidão e o mistério da natureza através de uma estética moderna, mas profundamente espiritual.
A tradição coral francesa surge representada por Notre Père, Op. 14, de Maurice Duruflé, compositor associado ao refinamento harmónico herdado do impressionismo e à influência do canto gregoriano. A simplicidade aparente da obra esconde uma escrita vocal extremamente cuidadosa e equilibrada, na qual a clareza do texto litúrgico é central. A esta herança junta-se a criação portuguesa contemporânea com Procurei por Ti, de Manuel Rebelo, que insere no programa uma dimensão nacional, dialogando com a tradição coral sacra através de uma linguagem atual e expressiva.
O programa culmina com excertos do Gloria em Ré maior, RV 589 de Antonio Vivaldi, uma das mais célebres obras do repertório coral barroco. Composto no início do século XVIII para o Ospedale della Pietà, em Veneza, este ciclo de movimentos revela a vitalidade rítmica, o brilho orquestral e o dramatismo característicos do estilo de Vivaldi. A alternância entre momentos jubilantes — como Gloria in excelsis Deo — e passagens de recolhimento — como Et in terra pax ou Agnus Dei — cria um arco expressivo que encerra o concerto numa celebração luminosa da tradição sacra ocidental.
A Orquestra Círculo de Música de Câmara (OCMC) é a única orquestra de cordas não profissional em Portugal com atividade musical ininterrupta há mais de 35 anos e atualmente gerida por uma Associação sem fins lucrativos.
Fundada em 1989, reúne músicos amadores e profissionais unidos pelo compromisso com a divulgação da música, a formação de novos públicos e o apoio a jovens intérpretes e compositores.
Entre os seus elementos contam-se músicos amadores, muitos ex-alunos da Academia de Música de Santa Cecília e também da Fundação Musical dos Amigos das Crianças, e músicos profissionais que, ao longo da sua carreira, integraram as principais orquestras nacionais, em particular a Orquestra do São Carlos.
Com cerca de 22 instrumentistas permanentes, a OCMC desenvolve uma atividade regular em espaços culturais e patrimoniais com um repertório diversificado que procura ir ao encontro das preferências dos variados auditórios, orientando-se fundamentalmente para as obras de orquestra de cordas, abrangendo os períodos barroco, clássico, romântico, moderno e contemporâneo.
A direção da orquestra está, desde setembro de 2008, a cargo do Maestro Luís Santos, também ele violinista profissional no São Carlos.
Coro
O Coro Lisbon Singers é um coro fundado em 2019, com cerca de 30 elementos, que integra cantores de vários grupos.
O coro herda toda a carreira do antigo coro Emotion Voices, do qual se destacou como novo formato para responder a mais e diferentes desafios.
É um coro que faz uma mistura entre cantores profissionais e amadores, o que torna o seu som muito interessante. O grupo de cantores não é sempre o mesmo, pois varia consoante o tipo de repertório a que se propõe fazer.
São dirigidos pelo Maestro Manuel Rebelo, que tem desenvolvido uma intensa atividade na área do canto e que dirige, em Lisboa, uma academia de cantores de nome Vocal Emotion que integra mais de 100 alunos.
Soprano
Soprano polaca com mestrado em canto pelo Conservatório de Música Fryderyk Chopin em Varsóvia e pela Escuela Superior Reina Sofia em Madrid, sob orientação de professor Tom Krause.
Desde 2010 reside em Portugal onde com frequência aparece nos principais palcos do país. Foi bolseira da Fundação Gulbenkian para projectos ENOA e também membro de Coro entre 2010-2014.
Prossegue actualmente o seu aperfeiçoamento vocal com a professora Joana Siqueira. Patrycja participou em vários festivais internacionais como Festival d’Aix-en-Provance, Flagey Brahms festival em Bruxelas ou Festival de Música de Mação. Como solista cantou sob a direção do Michel Corboz, Michael Zilm, Paul McCreesh, Leonardo Garcia Alarcon, Lawrence Foster entre outros.
Cantou com a Orquestra Divino Sospiro, Orquestra do Norte, Orquestra Metropolitana, Orquestra da Câmara Portuguesa, Orquestra Filarmónica de Varsóvia e também com a Orquestra Gulbenkian. Seu vasto repertório inclui obras da oratória, ópera e música da câmara desde barroco até música contemporânea.
Contralto
Formou-se em Canto na Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa em 2005, aperfeiçoando posteriormente o seu trabalho com Manuela de Sá e presentemente com Joana Siqueira.
Colabora com grandes coros e orquestras nacionais, tendo-se apresentado como solista em grandes obras de reportório nas maiores salas de concerto do país, sob a direção, entre outros maestros, de Leonardo García Alarcón, Michael Corboz, Joana Carneiro, Nuno Corte-Real, Cesário Costa, Osvaldo Ferreira, João Paulo Santos, Pedro Amaral, Pedro Neves, José Eduardo Gomes, Nuno Coelho e Jan Wierzba.
Participou de diversas produções de ópera no TNSC, Fundação Gulbenkian e Teatro D.Maria II, assumindo, entre outros, os papéis de Condessa Larina (Evgeni Onegin), Gertrude (Roméo et Juliette), Annina (La Traviata) e Kate Pinkerton (Madama Butterfly). Apresenta-se regularmente em recital de música barroca e romântica, sendo convidada igualmente por diversos agrupamentos de música de câmara, como o Ensemble Darcos, os Músicos do Tejo e a Camerata Atlântica, com os quais já se apresentou em Portugal e no estrangeiro.
Gravou em agosto de 2022 o papel de Nina de “Il Frate ‘Nnamorato” de Pergolesi com os Músicos do Tejo. Protagonizou produções de música contemporânea, tendo estreado e gravado obras de Anne Victorino d’Almeida, Carlos Marecos, Nuno da Rocha, Luís Soldado, Jorge Salgueiro e Hugo Ribeiro.
Licenciada em Direito e com o Diploma Internacional de Tradução do Chartered Institute of Linguists, Carolina Figueiredo dedica-se em paralelo à área da tradução jurídico-legal.
Direção
Desde cedo começa a estudar música, canto coral e violino. Faz a sua formação no Conservatório Nacional, em Lisboa. Como bolseiro da Juventude Musical, frequenta cursos na Hungria e na Suécia. Mais tarde, na qualidade de bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, aperfeiçoa os seus estudos na Suíça e também em Londres, onde estuda durante três anos. De regresso a Portugal, ingressa na Orquestra do Teatro Nacional de São Carlos, sendo membro da Orquestra Sinfónica Portuguesa desde a sua fundação, em 1993.
Paralelamente, desenvolve atividade docente, primeiro na Fundação Musical dos Amigos das Crianças e depois no Conservatório Metropolitano de Lisboa, onde dirigiu a orquestra dos mais jovens dessa instituição.
Na vertente performativa, é fundador de vários grupos de música, nomeadamente Capela Real, Quinteto Lusitânia e Real Teatro da Ópera de Queluz, com os quais desenvolveu intensa atividade em Portugal, Espanha, Itália, França, Inglaterra e Índia. Colabora ainda com numerosos grupos de diferentes estilos, em Portugal e no estrangeiro.
Integra o grupo Corvos e é maestro diretor da Orquestra Círculo de Música de Câmara desde 2008.