Um programa dedicado à sonata barroca, em especial à sonata da Chiesa (Sonata de Igreja), bastante cultivada sobretudo no barroco italiano.
Para violino e baixo contínuo, este programa apresenta um especial conjunto de
sonatas para um instrumento melódico e contando sempre com o suporte do baixo cifrado, salientando-se aqui a obra de Vivaldi e Albinoni com duas incríveis e contrastantes sonatas.
Este concerto apresenta também a influência que a música barroca italiana teve em Portugal, cujo impacto foi enorme. Carlos Seixas, embora nunca tenha saído de Portugal, lidou diretamente com músicos italianos a trabalhar na coroa portuguesa, destacando-se sobretudo o seu contacto com Domenico Scarlatti. Portugal e Itália, em pleno século XVIII, estabeleciam fortes laços e trocas culturais, favorecendo o culto da ópera italiana no país, que, pela sua linguagem e importância, dominava os ambientes profanos, mas também a música sacra.
Referindo as sonatas, será de salientar a prática de se “adaptar” as típicas sonatas para tecla, a outras formações como violino e baixo contínuo como iremos aqui escutar. Ou seja, a mesma sonata, poderia ser apresentada em Cravo solo, mas também numa versão de Violino e baixo contínuo. Duas das sonatas de Carlos Seixas, serão apresentadas nesse mesmo formato, respeitando a prática habitual da época.
Violino
Zofia Pajak Mendanha nasceu na Polónia numa família com tradições musicais e começou a estudar violino aos seis anos de idade.
Concluiu o curso de conservatório com a avaliação de 18 valores e seguiu a sua formação na Escola Superior de Música pela qual é licenciada em performance. Foi-lhe atribuída uma bolsa de estudo da UE que lhe possibilitou estudar na Hochschule für Musik und Theater Leipzig, na Alemanha, onde obteve a pós-graduação de Músico de Orquestra. Posteriormente tirou o mestrado em ensino de música pela Escola Superior de Música de Lisboa.
No âmbito de música erudita tem se apresentado em Portugal, Alemanha, Espanha, Itália, Argentina, Macau e China colaborando com Mendelsohnkammerorchester, Berliner Symphoniker, Orquestra Gulbenkian, Orquestra Sinfónica Portuguesa, Músicos do Tejo, entre outras. Como membro de orquestra fez gravações com solistas e maestros de renome mundial e com o seu duo com piano gravou recitais para a Rádio Antena 2.
Foi professora no Conservatório Nacional, actualmente leciona no Instituto Gregoriano de Lisboa.
Cravo
Natural de Alenquer, Daniel Oliveira é diplomado em Musicologia pela Universidade Nova de Lisboa, licenciado em Órgão pela Escola Superior de Música de Lisboa sob orientação de João Vaz e mestre em Pedagogia do Órgão pela mesma instituição. Frequenta a licenciatura em cravo na Escola Superior de Música de Lisboa, sob orientação de Ana Mafalda Castro.
Tem realizado inúmeros concertos em Portugal e no estrangeiro, sendo de destacar a temporada de Música de São Roque (Lisboa), Festival de Música de Mafra, Festival Internacional de Órgão de Faro, Festival Internacional de Órgão de Santarém, Festa da Música do Centro Cultural de Belém, Festival Internacional de Órgão de Cantábria (Espanha), Festival Internacional de Música "Pórtico del Paraíso" (Galiza) e Ciclo internacional de Organo e Meditaciones de Sevilla.
Apresenta-se regularmente como organista e cravista inserido em grupos de referência tais como o Quarteto Tempus, Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, Orquestra Sinfónica Juvenil, Coro do Instituto Gregoriano de Lisboa, Flores de Música e Capella Joanina.
Nos seus estudos de órgão e cravo, trabalhou e contactou com personalidades como Graham Barber, Luigi Ferdinando Tagliavini, J.L.Gonzalez Uriol, Javier Artigas, Kristian Olesen, Ketil Hausgand, Gerhard Doderer e Elisabeth Joié.
Daniel Oliveira é professor de Órgão, Iniciação Musical, Baixo-contínuo e Música de Câmara na Escola de Música Luís Maldonado Rodrigues (Torres Vedras), Atelier de Órgão de Torres Vedras e Salesianos de Lisboa.
É membro do Trio Ars Eloquentae, dirige o agrupamento barroco Magnificat desde 2013 e detém a titularidade dos Órgãos Históricos da Igreja da Misericórdia em Torres Vedras e Igreja Matriz de Oeiras.
É diretor artístico do Ciclo de Órgão de Torres Vedras e da temporada de música antiga da mesma cidade. Participou na gravação de dois cd`s com os agrupamentos Capella Joanina e Flores de Música, com música sacra do compositor português Francisco António de Almeida.