CONCERTOS DE PRIMAVERA

  • 23 maio, 2026
  • Joana Bagulho - Cravo | Maria Bayley - Canto e Harpa
  • Igreja de S. José (Vila Verde)
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PONER OBRAS

Este programa centra-se na prática da intabulação no século XVI, reunindo repertório para tecla, harpa e vihuela a partir de canções francesas e vilancicos ibéricos, bem como música preservada no manuscrito musical 242 da Universidade de Coimbra. A proposta articula versões vocais e instrumentais, evidenciando a estreita relação entre canto e prática instrumental no Renascimento.

Como afirma Tomás de Santa María, “pôr obras de canto de órgão no monocórdio é a origem e fonte […] de toda a arte do tocar”, sublinhando o papel central da intabulação na formação dos instrumentistas.

O programa tem como principal referência a coletânea Obras de música para tecla, arpa y vihuela de Antonio de Cabezón, publicada em Madrid em 1578 pelo seu filho, Hernando de Cabezón. Esta fonte fundamental da música instrumental ibérica reúne sobretudo intabulações de repertório vocal — litúrgico e profano — oriundo de tradições franco-flamenga e italiana, incluindo obras de compositores como Orlando di Lasso, Clemens non Papa e Thomas Crecquillon.

A intabulação consistia na transcrição de música polifónica vocal — originalmente difundida em livros de partes — para uma notação adaptada a instrumentos, permitindo alinhar verticalmente as vozes. Este processo não só facilitava a execução, como constituía uma ferramenta essencial de aprendizagem e de desenvolvimento composicional. As próprias fontes vocais da época reconhecem essa prática, indicando a sua adequação tanto à voz como aos instrumentos.

Grande parte deste repertório corresponde a intabulações ornamentadas, conhecidas como glosados, que desempenharam um papel decisivo na afirmação da música instrumental autónoma. As versões de Antonio e Hernando de Cabezón distinguem-se pela riqueza ornamental e exigência técnica, representando um desafio significativo para os intérpretes modernos.

O programa inclui ainda um glosado de Palero, proveniente do Libro de cifra nueva de Luis Venegas de Henestrosa (Alcalá de Henares, 1557), cujo prefácio indica a versatilidade deste repertório — apto a ser cantado, acompanhado ou interpretado por diferentes formações instrumentais.

Ao longo do concerto, os glosados são apresentados em diversas configurações — solo instrumental, versão vocal e formações mistas como harpa e cravo — recriando a flexibilidade performativa característica da prática musical renascentista.

Programa:

Adrian Willaert (1490 - 1562)
Qui la dira la peine de mon cœur, a cinco vozes
Josquin des Prez (1450 - 1521)
Cancion del Emperador / Mille regretz, glosado de Luys de Narvaez, a quatro vozes
Thomas Crecquillon (c. 1505 - 1557)
Pis ne me peult venir (A. Cabezón), a cinco vozes
Thomas Crequillon
Mort m’a privé (F. Palero - L. Henestrosa), a quatro vozes
Antonio de Cabezón (1510 - 1566)
Canção Clemens non Papa, a quatro vozes
Thomas Crecquillon
Je prens en grey (A. Cabezón), a quatro vozes
Philippe Verdelot (c. 1482 - c. 1535)
Ardenti mei suspiri (A. Cabezón), a seis vozes
Cipriano de Rore (c. 1515 - 1565)
Ancor che col partire (A. Cabezon), a quatro vozes
Pierre Sandrin (c. 1490 - c. 1562
Dulce memoire (Hernando de Cabezón), a quatro vozes
Thomas Crecquillon
Un gay bergier (A. Cabezón), a quatro vozes
Francisco Fernández Palero (c. 1533 - 1597)
Passeávase el rey moro (L. Henestrosa) versão para Vihuela de Luys de Narvàez
Nicolas Gombert (c. 1495 - c. 1560)
Dezilde al cavallero (Diferencias sobre el canto llano del Caballero: A. Cabezón), a cinco vozes
Miguel de Fuenllana (c. 1500 - 1579)
Con que la lavaré la flor de mi cara (Juan Vazquéz), versão glosada para Vihuela de Luys de Narvàez e Diego Pisador. Tento com cantus firmus a 5 com a quinta voz de fora – António Carreira - Manuscrito musical 242

Músicos:

  • Cravo – Joana Bagulho
  • Canto e Harpa – Maria Bayley

Localização:

  • Date 23 maio, 2026
  • Venue Igreja de S. José (Vila Verde)

Detalhes

  • Data 23 maio 2026
  • Hora 21h30
  • Músicos Joana Bagulho - Cravo | Maria Bayley - Canto e Harpa
  • Local Igreja de S. José (Vila Verde)

Biografias

Joana Bagulho

Cravo

Joana Bagulho estudou piano na Academia de Amadores de Música de Lisboa e no Conservatório Nacional na classe dos professores Miguel Henriques e Tânia Achot.

Iniciou os estudos de cravo em 1994 na classe de Cremilde Rosado Fernandes tendo completado a licenciatura na Escola Superior de Música de Lisboa.

Participou em espectáculos de teatro, dança e em recitais de música de câmara tanto na área da Música Antiga como da música contemporânea.

É professora assistente da Escola Superior de Música de Lisboa desde 1999. Frequenta aulas particulares de cravo para aperfeiçoamento com a professora Elisabeth Joyé em Paris.

Actualmente é aluna de Mestrado em Música Antiga na Universidade de Aveiro, tendo como professor orientador Jaques Ogg.

Maria Bayley

Maria Bayley

canto e harpa

Maria Bayley

canto e harpa

Maria Bayley começou os estudos musicais no Instituto Gregoriano de Lisboa, estudando cravo com Cristiano Holtz. Licenciou-se em Cravo no Conservatório Real de Haia com Jacques Ogg.

Obteve o mestrado em Teclados Medievais e Renascentistas na Schola Cantorum Basiliensis com Corina Marti e em Canto com especialização em ensemble de música antiga no Conservatório de Tilburg.

Estudou harpa barroca como segundo instrumento em ambos os mestrados, com Emma Huijsser e Heidrun Rosenzweig respectivamente.

Colabora regularmente com La Academia de los Nocturnos, Cantores Sancti Gregorii, Palma Choralis e O Bando de Surunyo. É vice-presidente da Associação Ars Hispana, dedicada à investigação e edição de música espanhola. Fundou o ensemble Ars Lusitana em 2011, dedicado a interpretar principalmente repertório português. É também membro fundador do Ensemble 258, dedicado à performance de música barroca.

Completou um mestrado em teoria de música antiga no Conservatório Real de Haia, e um mestrado em ensino de cravo na Escola Superior de Música de Lisboa com Ana Mafalda Castro. Presentemente, é estudante de Doutoramento na Universidade de Coimbra.

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