Cravos em duo dá a conhecer um repertório bastante eclético composto por compositores ibéricos, italianos e fechando com Christian Bach que, embora sendo alemão, cultivou de perto o estilo clássico veneziano.
Um autêntico duelo de cravos onde o diálogo e o contraste apresentam a energia deste intrumento em momento bastante virtuosos e frescos composto por compositores como Giovanni Luchinetti, Francisco Olivares, Piazza ou mesmo Domenico Scarlatti.
Um duo composto pelos cravistas Daniel Oliveira e Tadeu Filipe, especialistas na interpretação da música antiga para tecla, revelam os aspectos organológicos e musicológicos mais relevantes da música dos séculos XVII e XVIII, sempre numa perspectiva historicamente informada, mas também ousando novas interpretações.
Cravo
Tadeu Filipe iniciou os seus estudos musicais na Academia de Música Óscar da Silva em Matosinhos frequentando a classe de piano dos professores Jaime Mota e Álvaro Teixeira Lopes, prosseguindo os seus estudos no Conservatório de Música do Porto. A sua formação específica em órgão e música sacra teve o seu prólogo na Escola Diocesana de Ministérios Litúrgicos do Porto na classe da professora Rosa Amorim.
É licenciado em Órgão pela Universidade de Aveiro sob a orientação do professor Domingos Peixoto e Pós-Graduado na classe da professora Edite Rocha. Frequentou cursos internacionais onde contactou com personalidades como: Antoine Sibertin-Blanc e Jesus Gonzalo Lopez (Festival Internacional de Música de Aveiro), José Luís Uriol (Festival de Música de Daroca), Ton Koopmann (Bach Festival Kurs em Leipzig), Andrés Cea Gálan, Jean-Claude Zehnder, Brett Leighton (Academia de Órgano de Andalucía).
Paralelamente frequentou o curso de cravo no Conservatório de Música de Coimbra sob orientação da professora Cândida Matos, os Cursos Internacionais de Música Antiga (CIMA) sob a supervisão do professor João Paulo Janeiro; o Curso de Direção Polifónica na LVIII e LIX Semana de Estudos Gregorianos com o professor Paulo Brandão.
Apresentou-se, enquanto intérprete, em vários pontos do país e no estrangeiro destacando-se o Ciclo de Concertos Jovens Organistas em Aveiro; os Concertos Quaresmais organizados pela Plurifonia 2001; o Festival de Órgão em Mafra, as Jornadas Europeias da Cultura e Património; o Ciclo Ecos do Órgão (Sé Nova de Coimbra); o Festival de Órgão de Algarve; o Festival Internacional de Música da Primavera (Viseu). Foi organista do órgão histórico da Igreja Paroquial do Bom Jesus de Matosinhos (1993-2006), responsável pelo Departamento de Música Sacra e pelo Ciclo de Música Antiga para Órgão realizado naquele templo (1998-2005).
Em 2003 assume a tarefa de coordenar a música litúrgica em diversas paróquias da Diocese de Vila Real e Bragança-Miranda. Desde 2010 é organista da Igreja da Santíssima Trindade no Porto após convite da atual reitoria. Em 2011 participa na gravação do projeto Lusitana Organa na Igreja de Semide (Miranda do Corvo). Concluiu em 2021 o Mestrado em Ensino de Cravo e Música de Conjunto na Escola Superior de Artes Aplicadas (Castelo Branco) sob a supervisão do Professor João Paulo Janeiro. Leciona no Conservatório Regional de Música de Vila Real, Conservatório de Música e Dança de Bragança, no bem como na Academia de Música de Vila Verde.
Cravo
Natural de Alenquer, Daniel Oliveira iniciou os seus estudos na Escola de Música de Nossa Senhora do Cabo em Linda a Velha, onde estudou órgão e cravo com João Paulo Janeiro.
Prosseguindo os seus estudos musicais, diplomou-se em órgão pela Escola Superior de Música de Lisboa, sob orientação de João Vaz, licenciando-se também em cravo, pela mesma instituíção sob orientação de Ana Mafalda Castro. Realizou o mestrado em Pedagogia do Órgão na Escola Superior de Música de Lisboa. É ainda licenciado em Ciências Musicais pela Universidade Nova de Lisboa.
Tem estudado com diversas personalidades como Graham Barber, Ketil Haugsand, Javier Artigas, L.F. Tagliavini, J.L.G. Uriol, Kristian Olesen, Míklos Spány, Peter Holtslag e Roberto Fresco. Apresenta-se frequentemente a solo ou em grupos vocais ou instrumentais, marcando presença em vários festivais de Órgão e de Música Antiga em Portugal e no estrangeiro, sendo de destacar o Festival Internacional de Órgão de Leon (Espanha), Ciclo Internacional de Órgão de Cantábria, Festival de Órgão de Málaga, Ciclo de concertos do Santuário de Fátima, Festival de Música Antiga de Castelo Novo, Festival de Música Antiga de Santarém, Festival de Órgão de Santarém, Ciclo de Órgão de Sevilha, entre outros .
É professor de órgão, harmonia e baixo contínuo no Conservatório Nacional e no Conservatório de Música da Física de Torres Vedras. Como pedagogo prepara atualmente um manual prático para o ensino do órgão na infância e é convidado regularmente para ministrar masterclasses ou formações para organistas litúrgicos.
Em 2019 gravou, juntamente com o violinista Marcos Lázaro, um CD dedicado à música Portuguesa e Italiana do período barroco, no Órgão histórico da Igreja da Misericórdia em Torres Vedras para a editora francesa FSB.
É diretor artístico do Festival de Música Antiga de Torres Vedras e do Ciclo de Órgão da mesma cidade, bem como diretor artístico do Ciclo de Música Barroca de Mafra IN MÚSICA.
É organista titular dos órgãos históricos da Igreja Matriz de Oeiras e Igreja da Misericórdia em Torres Vedras.