Viola da quê?
Surpreendentemente, a viola da gamba, um dos instrumentos mais populares do barroco, é hoje ainda relativamente desconhecida do grande público. Um instrumento com uma história tão rica e uma quantidade avassaladora de repertório original, apesar do grande renascimento da música antiga das últimas décadas, a viola da gamba ainda veste uma aura de mistério. O que é a viola da gamba exactamente? Não é como o violoncelo, mas pega-se no arco ao contrário? Quais as características que a tornam tão única e especial?
Neste concerto inteiramente dedicado à viola da gamba solo, serão tocadas exclusivamente obras originais.
Eu escolhi quatro compositores, entre muitos que escreveram música para viola não acompanhada, começando com Tobias Hume, que com a sua colecção „The First Part of Ayres“ nos presenteia com uma das primeiras colecções publicadas para o instrumento em 1605, passando por Georg Philipp Telemann, um dos mais importantes e prolíferos compositores do século XVIII e Carl Friedrich Abel, considerado o último virtuoso da viola da gamba“, antes desta cair completamente em desuso e terminando com Torben Klaes, um compositor-gambista contemporâneo que escreve em estilo neo-barroco e cujas principais inspirações para a sua obra são precisamente Telemann e Abel.
Estas obras, espaçadas no tempo, diferentes no estilo, unem-se na forma como exploram as capacidades virtuosísticas ao máximo, representando a enorme riqueza de possibilidades deste instrumento. A música será acompanhada de algumas histórias sobre as peças, os compositores e, claro, a viola da gamba.
Viola da Gamba
Sofia Diniz, natural de Lisboa e residente em Colónia (Alemanha), iniciou a sua formação em dança e música no Conservatório Nacional, tendo concluído o curso de violoncelo na Escola Superior de Música de Lisboa. O seu interesse pela interpretação histórica levou-a a especializar-se em instrumentos originais, área na qual obteve o Bachelor of Music na Musikhochschule de Colónia e o Master of Music em Música Antiga nos Conservatórios Reais da Haia e de Bruxelas, como bolseira do Centro Nacional de Cultura e do programa Nuffic-Huygens.
É fundadora e diretora artística do Ensemble ConTrastes e cofundadora de vários agrupamentos dedicados à música antiga. Colabora regularmente com ensembles de referência internacional, entre os quais Hespèrion XXI, Collegium Vocale Gent, Ricercar Consort e Concerto Köln. Apresenta-se como solista e em orquestra nos principais festivais europeus e participa em diversas gravações discográficas.
Sofia Diniz editou três álbuns a solo: La Lyre d’Apollon (2018), Essercizii per la Viola da Gamba (2022) e L’Echo du Danube (2024), dedicados ao repertório para viola da gamba.
A sua atividade artística inclui ainda a divulgação e valorização do repertório para viola da gamba através de concertos, projetos pedagógicos e colaborações interdisciplinares, afirmando-se como uma intérprete de referência na área da música antiga.