CONCERTOS DE PRIMAVERA

  • 20 março, 2026
  • Polyphonia - Schola Cantorum
  • Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Assunção (Colares)
section_title

Crux Fidelis: a Quaresma na música renascentista portuguesa

Crux Fidelis: a Quaresma na música renascentista portuguesa propõe uma imersão no universo da polifonia sacra luso-ibérica entre os séculos XVI e XVII, enquadrando-a nas grandes correntes estilísticas que marcaram a Europa pós-Trento. Num período em que a Igreja Católica, após o Concílio de Trento, valorizava a clareza textual e a elevação espiritual da música litúrgica, a escrita polifónica desenvolvida na Península Ibérica dialogava intensamente com o modelo romano de Palestrina e com a tradição franco-flamenga, integrando equilíbrio formal, sobriedade expressiva e depuração contrapontística.

Neste contexto, compositores como Estêvão Lopes Morago, Francisco Martins e Diogo Dias Melgaz afirmam uma linguagem que, embora enraizada na herança renascentista, revela já a transição para sensibilidades proto-barrocas. A expressividade madrigalesca aplicada ao texto sacro, o recurso a contrastes harmónicos mais audazes e uma atenção crescente à dimensão afetiva da palavra aproximam este repertório das tendências que, em Itália e Espanha, conduziam à intensificação dramática da música religiosa no início do século XVII.

O programa integra ainda obras atribuídas a João IV de Portugal, figura central da cultura musical portuguesa. Para além do seu papel político, D. João IV destacou-se como teórico e colecionador, reunindo uma das mais importantes bibliotecas musicais da Europa do seu tempo — reflexo da circulação internacional de repertórios e tratados que ligava Portugal aos centros musicais de Roma, Madrid e Antuérpia. A destruição desse acervo no terramoto de 1755 não apaga a evidência de um país plenamente integrado nas redes artísticas europeias.

Assim, Crux Fidelis revela como a música quaresmal portuguesa se insere numa ampla paisagem estética europeia: fiel aos princípios do contraponto renascentista, mas aberta às novas correntes expressivas que anunciavam o Barroco. Entre tradição e renovação, este repertório testemunha a vitalidade de uma escola que soube assimilar influências internacionais e transformá-las numa linguagem própria, de intensa espiritualidade e refinada elaboração artística.

Programa:

Atribuído a D. João IV (1604 – 1656)
Adjuva nos, Deus
Estêvão Lopes Morago (c. 1575 – após 1630)
Oculi mei
Diogo Dias Melgaz (1638 – 1700)
Qui autem biberit
Francisco Martins (c. 1620 – 1680)
In monte oliveti
Francisco Martins
Tristis est anima mea
Francisco Martins
Una hora
Diogo Dias Melgaz
O vos omnes
Francisco Martins
Velum templi
Francisco Martins
Tenebræ factæ sunt
Francisco Martins
Sepulto Domino
Atribuído a D. João IV
Crux fidelis
Diogo Dias Melgaz
Pia et dolorosa Mater
section_title
  • Polyphonia Schola Cantorum
  • Direcção - Sérgio Fontão

Localização:

  • Date 20 março, 2026
  • Venue Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Assunção (Colares)

Detalhes

  • Data 20 março 2026
  • Hora 21h30
  • Músicos: Polyphonia - Schola Cantorum
  • Local Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Assunção (Colares)

Biografias

Polyphonia Schola Cantorum

Coro

O coro Polyphonia Schola Cantorum, associação cultural com estatuto de pessoa coletiva de utilidade pública, foi criado em 1941 por iniciativa de Olga Violante, Sara Navarro Lopes, João da Silva Santos e Sebastião Cardoso e teve como primeiro Cantor-Mor (regente) o insigne musicólogo Mário de Sampayo Ribeiro, que o dirigiu até à sua morte, em 13 de maio de 1966. Foi intenção dos fundadores dar vida a um organismo coral de carácter permanente que pudesse dedicar-se, especialmente, à descoberta e divulgação dos tesouros da música portuguesa, então perdidos em arquivos e bibliotecas.

O êxito desta iniciativa foi notável: ressurgiram em todo o seu esplendor os centros musicais de Évora, Elvas, Lisboa, Coimbra e Viseu e, com eles, as obras dos grandes mestres dos séculos XVI e XVII, que Polyphonia deu a conhecer através da sua publicação e da sua interpretação em concertos. Com efeito, grande parte destas obras tem sido divulgada, desde a sua fundação, mantendo atividade ininterrupta, por todo o país e no estrangeiro, através de muitas centenas de atuações, da publicação de edições de partituras de música polifónica religiosa e popular portuguesa e, ainda, de gravações em disco de peças do seu repertório.

Atendendo à elevada contribuição de Polyphonia em prol da música, e em especial da música polifónica portuguesa, foi-lhe atribuída, em Outubro de 1985, a Medalha de Mérito Cultural pelo então ministro da Cultura. Desde 2004, o coro Polyphonia Schola Cantorum é dirigido pelo maestro Sérgio Fontão.

Sérgio Fontão

Sérgio Fontão

Direção

Sérgio Fontão

Direção

Um dos mais dinâmicos diretores corais portugueses, Sérgio Fontão concluiu o mestrado em Direção Coral na Escola Superior de Música de Lisboa, após estudos de Canto, Piano, Harpa e Percussão. É, desde 2004, o diretor artístico do coro Polyphonia Schola Cantorum. Colabora também com outros agrupamentos vocais e instrumentais (Voces Caelestes, Coro Gulbenkian, Orquestra Metropolitana de Lisboa, etc.), como maestro convidado, diretor artístico ou cantor. Como maestro ou cantor, tem-se apresentado em inúmeros países da Europa, da Ásia e das Américas. Gravou para as etiquetas Deutsche Grammophon, Erato, Naxos, Philips e Virgin, entre muitas outras.

Sérgio Fontão dirige um vasto repertório, que se estende da música medieval à criação musical contemporânea. Dirigiu já várias estreias mundiais, incluindo obras de Eurico Carrapatoso, Tiago Derriça e Vito Žuraj. Como maestro ensaiador, tem preparado coros para alguns dos mais reputados maestros a nível mundial, como Leonardo García Alarcón, Harry Christophers, Enrico Onofri e Peter Schreier, entre muitos outros. Entre 2013 e 2023, lecionou Direção e Coro, no âmbito da Licenciatura em Música na Comunidade, uma parceria entre a Escola Superior de Educação de Lisboa e a Escola Superior de Música de Lisboa. Tem trabalhado também como formador na área da direção coral e como membro de júris de concursos de música coral.

OUTROS CONCERTOS

  • 10 ABRIL
  • QUEL FIOR ENSEMBLE

Melodias em Diálogo

  • Complexo Paroquial de S. Bento de Massamá
  • 11 ABRIL
  • SOLISTAS MELLEO HARMONIA

O Esplendor do Barroco Sacro

  • Igreja de Santa Maria (Agualva)
  • 17 ABRIL
  • D’AQUÉM MAR

Líricas do Barroco

  • Igreja de Nossa Senhora da Paz (Rio de Mouro)
  • 8 MAIO
  • AMERICANTIGA ENSEMBLE | NOVA ERA VOCAL ENSEMBLE

A Corte de D. João IV de Volta a Lisboa

  • Igreja de São Martinho (Vila de Sintra)
  • 9 MAIO
  • SOFIA DINIZ - VIOLA DA GAMBA SOLO

The Spirit of Gambo

  • Capela do Regimento de Artilharia Antiaérea No1 (Queluz)
  • 15 MAIO
  • TADEU FILIPE E DANIEL OLIVEIRA

Cravos em Duo

  • Igreja Matriz de S. João de Baptista (S. João das Lampas)
  • 16 MAIO
  • STYLUS PHANTASTICUS

Sonatas e Toccatas do Seicento

  • Igreja de São Pedro (Almargem do Bispo)
  • 22 MAIO
  • ABONA ENSEMBLE

Gesto e Ressonância

  • Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Misericórdia (Belas)
  • 23 MAIO
  • JOANA BAGULHO - CRAVO | MARIA BAYLEY - CANTO E HARPA

Poner Obras

  • Igreja de S. José (Vila Verde)
  • 29 MAIO
  • ITINERÁRIO ENSEMBLE

Ao Encontro de Itália

  • Igreja Paroquial de S. José (Algueirão)
  • 30 MAIO
  • ÁGNES SAROSI - VIOLINO BARROCO | FERNANDO MIGUEL JALÔTO - CRAVO

Entre Leipzig e Paris: Obras para Violino e Cravo Obligato do início do Século XVIII

  • Igreja Paroquial de S. Pedro (Pêro Pinheiro)
  • 13 MARÇO
  • DUO SENZA MISURA

Cores e Ornamentações: Música para Flauta e Harpa

  • Igreja Matriz de Montelavar
  • 20 MARÇO
  • POLYPHONIA - SCHOLA CANTORUM

Crux Fidelis: a Quaresma na Música Renascentista Portuguesa

  • Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Assunção (Colares)
  • 21 MARÇO
  • COMPENDIUM ENSEMBLE

Metamorfoses dos Afetos

  • Junta de Freguesia de Casal de Cambra
  • 27 MARÇO
  • ORQUESTRA CÍRCULO DE MÚSICA DE CÂMARA | CORO LISBON SINGERS

Da Contemplação à Glória

  • Igreja Paroquial do Coração Imaculado de Maria (Cacém)